PAROQUIA NOSSA SENHORA DO MONTE SERRATE FORMAÇÃO PARA MINISTRO | Paroquia Nossa Senhora do Monte Serrate

PAROQUIA NOSSA SENHORA DO MONTE SERRATE FORMAÇÃO PARA MINISTRO

PAROQUIA NOSSA SENHORA DO MONTE SERRATE
FORMAÇÃO PARA MINISTRO

TEMAS DE ESPIRITUALIDADE

Alegria

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que transborda de alegria. Mas de que alegria? Aquela treinada, em que o rosto mostra um sorriso de conveniência ou por interesse? Não. E uma alegria que brota naturalmente de todo o ser do Ministro; é uma alegria que pode não ter sorriso. Mas isso é possível? Sim! A pessoa que gosta do que faz, e o faz com convicção e dedicação, demonstra a sua alegria no modo como ouve, como fala, como olha, como se movimenta. A alegria forçada é visível e, ao invés de criar um clima gostoso de convivência, torna os relacionamentos tensos e artificiais.
Como o Ministro está em contínuo contato com as pessoas a quem serve, a alegria que ele transmite é evangelizadora, porque confirma sem palavras aquilo que ele está fazendo por opção e missão. A pessoa que é servida pelo Ministro sente-se bem diante dos sinais que indicam que quem a serve é uma pessoa realizada no que faz. Mesmo o Ministro em crise pessoal, com problemas na família, com dificuldades no trabalho, mostra a alegria que tem porque ela vai além do seu dia a dia, tendo como fonte o amor a Deus e ao outro. Há Ministros tristes pelas batalhas travadas no cotidiano, mas que são alegres no ministério. O segredo? A consciência de que estão prestando um serviço gratuito, onde não são profissionais, mas sim batizados que assumem o seu lugar na Igreja porque a ela pertencem e dela fazem parte pelos méritos de Jesus.
O Ministro transmite alegria mesmo quando o seu rosto expressa dor, sofrimento, angústia. É uma alegria que jorra da vida de fé; esta se sobrepõe, para nós cristãos, até mesmo à morte. Um Ministro interiormente alegre é um Ministro que faz com que ao seu redor a alegria invada corações e mentes, inclusive quando exerce o seu ministério.

Bíblia

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que ama a Sagrada Escritura, que a lê, que a reflete, que a interioriza, que a mistura com a vida e com os fatos e acontecimentos do dia a dia. Não estamos falando de fanatismo nem de bibliólatria. O fanático não enxerga com os olhos da emoção e da razão; ele não sabe porque faz o que faz, é desequilibrado. O bibliólatra trata a Bíblia — inclusive o livro — como se só através dela Deus se manifestasse à humanidade. São dois exageros que fazem muito mal tanto ao Ministro como às pessoas que estão ao seu redor.
Na Palavra proclamada nas celebrações, com ou sem a presença do ministro ordenado, o Ministro acolhe com o coração e a mente o que Deus está dizendo; acolhe-o como alimento para uma vida saudável, aberta ao perdão, ao diálogo, à alegria, à responsabilidade. Enquanto a Palavra é proclamada, o Ministro está atento a ela, e não distraído, como se só precisasse prestar atenção no serviço que lhe é próprio. Além de aproveitar ao máximo da Palavra proclamada nas celebrações, o Ministro torna-se modelo a ser imitado na escuta e na prática da Sagrada Escritura.
Em casa, o Ministro valoriza a Palavra de Deus tanto quanto nas celebrações. Se possível, ele participa do grupo de reflexão ou do grupo de famílias para partilhar as riquezas – falando e ouvindo – que a Palavra coloca à disposição daqueles que a acolhem com alegria. Também lê e medita a Bíblia individualmente, se esforçando para aprender a interpretá-la em comunhão com a Igreja. E bendito é o Ministro que incentiva e anima a sua família a gostar e a se interessar pela Palavra de Deus!
O Ministro que ama a Sagrada Escritura porque nela encontra Jesus torna-se para a comunidade que serve a própria Palavra encarnada, vivida, praticada.

Comunhão

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que se alimenta da Eucaristia como se alimentam dela aqueles a quem ele está a serviço. Até na designação pela qual ele é identificado há o termo Comunhão. Embora ele não faça a Eucaristia — quem a faz é o sacerdote —, o Ministro é homem da Eucaristia, mulher da Eucaristia. Como todos os demais católicos, o Ministro precisa de Jesus eucarístico porque sem Ele não tem a vida em plenitude.
Como o exercício de seu ministério dá-se logo após receber a Comunhão, o Ministro corre o risco de comungar sem aprofundar a sua relação com o Jesus do qual se alimentou. A sequência: levar os cibórios do sacrário para o altar + comungar + distribuir a Comunhão + a purificação dos cibórios (onde os Ministros estão autorizados a prestar esse serviço) + guardar os cibórios com hóstias consagradas no sacrário, pode fazer com que o Ministro se disperse e não tenha tempo para a ação de graças, para falar com Jesus na intimidade do seu coração. Some a prestação de serviços à rotina — para a qual todos nós tendemos – e podemos chegar a uma constatação que assusta e entristece: quem partilha Jesus com os outros pode não acolhê-lo como deveria em seu próprio coração!
É claro que o contato do Ministro com a Eucaristia não se resume à Comunhão nas celebrações, mas eu quis dar destaque a esse momento pela importância que ele tem para a comunidade e para o Ministro. Em todas as situações de serviço — Comunhão na comunidade, Comunhão aos enfermos e idosos, adoração eucarística, Comunhão para as pessoas com deficiência o Ministro é uma pessoa eucaristizada, aquela que porta a Eucaristia porque acredita nela, porque a tem como o pão da vida. O Ministro que vive da Eucaristia é um forte apelo para que a comunidade também viva dela.

Diálogo

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa aberta ao diálogo. Mas o que é dialogar? E antes de tudo ouvir para compreender ao máximo a pessoa com quem se fala e às suas argumentações; depois é falar levando em conta o que a pessoa disse anteriormente. Para que o diálogo aconteça é necessário querer, de fato, interagir com quem se conversa. Quando não se está interessado na pessoa do outro, ouve-se a ela superficialmente e, finda a conversa, não se sabe o que ela disse ou, o que é ainda pior, interpreta-se mal o que foi dito, podendo causar danos a ela e a outras pessoas.
No exercício do ministério, assim como em todas as suas atividades, o Ministro é uma pessoa em constante diálogo com o seu pároco, com os enfermos a quem leva a Comunhão, com os outros Ministros, com as pastorais e movimentos, com toda a comunidade. Dialogar não significa necessariamente falar muito, mas ter qualidade nos relacionamentos. O Ministro que se fecha perde duplamente: deixa de ser enriquecido pelo contato com o outro, e não auxilia no crescimento das pessoas com quem convive. É claro que não é possível participar de todas as atividades da comunidade, mas é necessário que o Ministro participe daquelas que puder, que apresente as suas ideias e sugestões, que colabore com a ação evangelizadora como um todo, e não apenas no que se refere ao seu ministério específico. Essa integração, da qual o diálogo é um componente obrigatório, faz com que o Ministro seja uma pessoa engajada, corresponsável pelo andamento da vida comunitária.
É próprio do cristão, e portanto também do Ministro, estar aberto, sem abandonar as suas convicções e a sua fé, as pessoas de outras religiões, às diferentes formas de cultura e ao que é novo, sendo respeitoso para com todos, conforme orienta o próprio Jesus.

Evangelização

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que evangeliza em tudo o que faz e com todo o seu ser. A Igreja recebeu de Jesus a ordem de levar o Evangelho a todas as pessoas, e tem se esforçado, ao longo dos séculos, para cumprir com essa missão. Ela, que é semente do Reino, existe para evangelizar, isto é, para levar a todas as pessoas os ensinamentos de Jesus. Se ela não evangeliza, trai a confiança que Jesus depositou nela. Nós, cristãos, ao sermos batizados nos tornamos Igreja, e, portanto, evangelizadores. Todos os batizados são evangelizadores, e não somente este porque é sacerdote ou aquele porque é ministro da Palavra. Como São Paulo, temos consciência de que evangelizar é para nós uma obrigação e não uma alternativa.
Os Bispos do Brasil lembram que a evangelização se realiza quando quatro exigências são cumpridas. Vamos a elas: l. Serviço: o evangelizador promove a libertação integral, visando o bem de todas as pessoas e da pessoa toda; 2. Diálogo: o evangelizador promove a escuta e a acolhida do outro, mesmo quando há diversidade de convicções; 3. Anúncio: o evangelizador promove, de modo explícito, com palavras e com exemplos, os ensinamentos de Jesus; 4. Testemunho de comunhão: o evangelizador se une à comunidade e, juntos, praticam o que creem, sendo no mundo um sinal de Jesus.
O ministro, ao desenvolver o seu ministério, deve estar consciente de que, por meio dele, evangeliza as pessoas todas, a começar por aquelas a quem está a serviço. O simples gesto de tirar a hóstia do cibório e colocar na mão ou na boca de quem comunga deve estar imbuído de espírito evangelizador; o mesmo vale para todas as demais atividades ministeriais. O Ministro é evangelizador porque é cristão, e não porque é Ministro; mas, como Ministro, deve ter consciência de que tem maior visibilidade, e esta deve favorecer a evangelização. Quanto mais consciência o Ministro tem da missão de evangelizar, tanto mais se fará servidor em sua comunidade.



O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que crê segundo a fé que professa por meio da Igreja. Pode parecer estranho. mas há Ministros que exercem o ministério como se não tivessem fé; agem mecanicamente, como se estivessem trabalhando numa linha de montagem. Digo “como” porque não cabe a nós julgar o que vai pelo coração das pessoas, mas o que pode ser visto, as atitudes externas, expressam frieza, indiferença, distância. O estado de ânimo ou a maior ou menor fé não diminui o valor e o significado da Eucaristia, mas ajuda ou atrapalha quem a recebe.
A fé é uma virtude teologal, isto é, nos é dada por Deus não por nossos méritos, mas porque Ele é bom. Nós a recebemos no dia do batismo, e a temos enquanto vivermos. (Na glória eterna não precisaremos dela, porque estaremos “face a face” com Deus.) Ela é um dom – um presente – permanente; nós não a perdemos, mas podemos sufocá-la ao ponto de imaginar e até viver como se a tivéssemos perdido para sempre. Recebemos a fé como se fosse uma semente que, para crescer e produzir frutos, precisa ser cuidada e fertilizada. Mas como? Fazendo o que a Igreja ensina fundamentada na Sagrada Escritura, na Tradição e no Magistério.
O Ministro, ao exercer seu serviço como membro da Igreja, tem excelentes oportunidades de crescer e amadurecer na fé, como ao receber os sacramentos, ao participar da missa e de outras celebrações comunitárias, ao colocar-se em adoração a Jesus na Eucaristia, ao refletir misturando a Bíblia com a vida, ao fazer a opção evangélica, e portanto preferencial, pelos pobres, ao estar em processo permanente de conversão, ao assumir ajustiça e o amor integralmente.
Ao transmitir a própria fé, deixando-a irradiar-se, o Ministro dá credibilidade não só ao que se faz, mas também edifica a comunidade que, encorajada por ele, assume-a enquanto crença e vivência, praticando-a com perseverança.

Gratuidade

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que se coloca a serviço sem pedir nem esperar nada em troca. Ao prontificar-se para a preparação que precede o exercício do ministério, ele tem consciência que servirá a comunidade sem receber pagamento nem gratificação. O Ministro não é um profissional da Eucaristia, e sim seu servidor.
É do próprio Deus que o Ministro aprende a lição da gratuidade. A vida e a salvação vêm Dele, e Ele não cobra nada por isso, A encarnação do Filho é puro dom, é graça. Tudo o que Deus faz é pura gratuidade. E há uma única razão para que Ele aja dessa forma: o amor! Ele nos ama tanto que nos quer para sempre em comunhão com Ele; e nós, por nossa vez, só encontramos o sentido último de nossa vida Nele.
O Ministro, sabendo que Deus o ama sem impor condições, é convidado a servir gratuitamente, e isso só é possível se ele exercer o ministério por amor a Deus e ao próximo. A gratuidade, para ser autêntica, precisa do amor, sem o qual deixa de existir. É também necessário lembrar que uma pessoa pode se apresentar como voluntária, sem exigir salário, mas em troca querer ou exigir certos privilégios na Igreja, como se fosse superior e tivesse mais direitos que os demais. Não existe gratuidade de 50% ou 99%; ou é 100%, ou não é gratuidade. Quem se dispõe a servir por amor não cobra nem mesmo o agradecimento ou o reconhecimento da comunidade, embora esta tenha a obrigação de aprender a ser grata.
Consciente de que está a serviço gratuitamente, o Ministro dedica-se de corpo e alma, por inteiro, ao seu ministério, desfrutando da liberdade e da alegria de fazer chegar ao outro Jesus na Comunhão. A gratuidade traz consigo a gratificante certeza de agir como Deus, em seu amor, age.

Humildade

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que tem sempre presente as palavras e a prática de Jesus: “Quem quiser ser o primeiro, seja o último”, o servo de todos. Ele, Jesus, fez-se servo ao tornar-se um de nós; sendo mestre, lavou os pés dos discípulos, ensinando-os que o serviço não desmerece ninguém, antes o faz grande no Reino de Deus.
No que consiste a humildade? Há quem se equivoque a respeito dela, identificando-a como fraqueza, miséria, baixa autoestima. Comumente diz-se que alguém é “humilde” quando se quer dizer que é um “coitado”, um “joão-ninguém”. Assim deprecia-se tanto a pessoa de quem se fala quanto o termo que se utiliza.
A humildade é a atitude de quem sabe que não é perfeito, que tem limitações e erros; é a consciência de quem sabe que não é melhor do que os outros e que ainda tem muito a aprender; é a certeza de que sem Deus não poderia subsistir, e que só Nele encontra sentido para a vida. Humildade não é tratar mal a si mesmo nem é desprezar-se. Antes, é valorizar a si mesmo à luz de Deus, o valor absoluto. Quem é humilde não é “coitado”; é, isto sim, conhecedor de seu lugar diante de Deus e de sua igual dignidade para com todas as demais pessoas.
O Ministro que busca a humildade não é aquele que se esconde, ou esconde as suas virtudes, mas aquele que faz o bem à frente de todos porque acredita na força do bem, e o faz não para ser visto e elogiado, mas para servir. Há quem se esconde dos outros e é orgulhoso, como há quem esteja continuamente exposto e seja realmente humilde. Tudo depende do porquê daquilo que se faz. A humildade nasce no coração e transborda para todo o corpo, bem como o orgulho. Ambos humildade e orgulho – são atitudes que escolhemos.

Imperfeição

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que admite que não é perfeita e, em consequência, tem imperfeições. Só Deus é perfeito! Nós não somos perfeitos por dois motivos: 1. Porque somos criaturas e não Criador. Se fôssemos perfeitos, seríamos deuses. Sendo imperfeitos temos doenças, envelhecemos e, como afirmou o apóstolo Paulo, fazemos o mal que não queremos fazer e não fazemos o bem que queremos fazer; 2. Porque somos pecadores. Mesmo sabendo, tendo liberdade e podendo dizer não ao pecado, nós o fazemos. A fraqueza, com o nosso consentimento, derrota a determinação e a vontade. Não existe Ministro perfeito. Ele não deve exigir de si mesmo – e nem os outros dele – que jamais erre, mas também não pode se acomodar à situação. Em e com Jesus somos convocados a buscar a perfeição, isto é, a chegar o mais perto possível de Deus, a amar a todos de todo o coração.
Alguns Ministros deixam o ministério porque não se julgam dignos dele. Se fosse assim, os sacerdotes não deveriam ter-se deixado ordenar. Não exercemos o ministério – seja ele ordenado ou não porque somos bons, mas porque Deus é bom. Ele nos aceita, acolhe e em nós confia apesar de nossas limitações e infidelidades. Não se deve desistir do que se faz se está se fazendo o possível para dar o melhor de si. Mas o contrário também é verdadeiro: se assumimos o serviço à comunidade, devemos assumir pra valer. Inclusive nos esforçando para sermos autênticos em casa, na comunidade, no lazer, no trabalho, na escola etc. Assim como não podemos exigir de ninguém a perfeição – nem de nós mesmos –, assim também não podemos usá-la como desculpa ou justificativa para viver desregradamente. A comunidade entende quando erramos apesar de nosso esforço em acertar, mas também vê quando vivemos como se fôssemos um na igreja e outro fora dela.

Injustiça

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que pratica a justiça, sendo íntegra em suas ações. A justiça divina norteia a justiça humana. Se há mais injustiça do que justiça, a culpa não é de Deus, e sim nossa, que escolhemos a mentira em lugar da verdade, o egoísmo em lugar do amor, o orgulho em vez da humildade.
A justiça precede o amor, isto é, deve vir antes dele. Vamos imaginar uma situação para entender a afirmação acima: um Ministro é dedicado no exercício de seu ministério, destacando-se pelo amor que tem às pessoas enfermas, a quem serve com carinho. Em casa, contudo, ele é violento com a esposa, indiferente com os filhos, desonesto no que diz e faz. Sem desmerecer o bem que ele faz aos enfermos, é preciso que se diga que antes de praticar o amor para com os outros ele deveria ser justo em casa. Não é possível saltar ou pular a justiça, como se ela fosse descartável, para apresentar-se todo amoroso em seguida. O amor exige justiça! Por isso, não é possível amar a Deus se não amamos o próximo; esse amor pressupõe que estamos sendo justos para com ele.
Uma forma simples de descrever a justiça é: dar a cada um o que é seu, o que lhe pertence por direito. O salário que não pago a um funcionário, mesmo que esteja no meu bolso, não é meu, é dele, e a ele deve ser entregue. O Ministro que pratica a justiça exerce o seu ministério com credibilidade porque está em dia com a sua consciência e com a fé que professa. Ele pode amar de fato já que nada o impede de doar-se ao outro; não há nele fingimento, nem hipocrisia. Há um ditado popular que, ao referir-se a quem é injusto, afirma que ele “faz cortesia com o chapéu alheio”. De fato, quem não é justo não tem como saber no que consiste o amor.

Kairós

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que está em processo permanente de conversão. O termo kairós vem da língua grega e significa, “o tempo oportuno”, ou “o tempo apropriado”, ou ainda para nós, cristãos, “o tempo da graça”. Do papa às crianças que chegaram a idade da razão, somos todos pessoas inacabadas, que precisam estar em constante crescimento humano e espiritual. Somos seres em construção, nunca terminados, sempre em processo de mudança e amadurecimento.
Há quem escolha parar no tempo, fechando-se ao kairós. Por erroneamente julgar-se pronto para a vida, despreza as oportunidades de reavivamento, de reciclagem, de aprofundamento. Isso acontece na vida pessoal, na vida profissional e na vida espiritual, inclusive na Igreja. São muitos os gerentes, os médicos, os professores, os artistas, os sacerdotes e os Ministros, entre outros, que estão fossilizados, parados no tempo, estacionados. Vivem dos juros do que aprenderam um dia e se recusam a renovar-se, quase sempre por comodismo.
Também espiritualmente podemos encalhar e passar a vida patinando, sem avançar. O encontro que prepara o Ministro para o exercício do ministério é um começo, nunca um fim. Ele é convidado ao aperfeiçoamento contínuo, tanto intelectualmente como espiritualmente. Quem não precisa de conversão? Converter-se é mudar de vida, é abandonar o caminho do mal para palmilhar o caminho do bem, é tirar o “coração de pedra” e colocar em seu lugar outro, de “carne”. Só que não basta fazer isso uma ou duas vezes. Temos de fazer sempre, diariamente, pois o tempo oportuno e da graça é o momento presente, o agora, o hoje. Espera-se dos Ministros, como dos demais cristãos, que entendam que a vida espiritual é dinâmica e precisa de renovação.

Leitura

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa atualizada, especialmente na sua área de atuação ministerial. Que a Sagrada Escritura seja o “livro dos livros” do Ministro, tudo bem, para todos nós, cristãos, ela é a Palavra de Deus, fonte de toda a sabedoria. Mas não basta ler apenas a Bíblia, até porque são muitos os estudos que se publicam sobre ela; quanto mais se conhece esses estudos, tanto mais se entende o que Deus tem a nos dizer pelas Escrituras.
Merecem destaque como formação e orientação para nós os documentos e estudos publicados pelo Magistério da Igreja: o Papa, as diversas congregações vaticanas, o Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Leitura obrigatória: as orientações diocesanas, as cartas pastorais do Bispo e outros escritos produzidos pela Diocese. O Ministro que conhece os caminhos pastorais pelos quais anda a Igreja Particular a que pertence, presta serviços com muito mais qualidade do que se não dispusesse dessas informações. Tudo isso exige leitura, tempo e dedicação. Além dos textos oficiais, há uma grande variedade de livros publicados pelas editoras católicas, dentre os quais muitos títulos que têm a ver diretamente com o serviço prestado pelos Ministros.
E para o Ministro que não tem o hábito da leitura? O segredo para adquiri-lo é lendo. Aprende-se a caminhar caminhando, e a ler, lendo. Comece por livros mais leves, de mensagens ou estudos bíblicos, e depois se aventure em textos mais complexos. Se não souber por onde começar, peça ajuda a quem já adquiriu o hábito, ou peça sugestões de títulos na reunião com os Ministros. A leitura alimenta o intelecto, a alma e o coração; é alimento para ser consumido e digerido com proveito.

Misericórdia

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa extremamente misericordiosa. O termo misericórdia, do latim, significa “compaixão”. E o “sentimento de dor e solidariedade com relação a alguém que sofre uma tragédia pessoal ou que caiu em desgraça, acompanhado do desejo ou da disposição de ajudar ou salvar essa pessoa” (Houaiss). A pessoa misericordiosa, segundo a linguagem popular, é aquela que “pensa e age com o coração”, que é boa, que se deixa comover.
A Sagrada Escritura ensina que Deus é misericordioso. Ele faz mais do que se espera Dele para salvar a humanidade. Essa misericórdia atinge o seu auge com a encarnação do Filho, mostrando-se infinita e indo muito além da nossa compreensão. A misericórdia de Deus estimula a misericórdia entre nós.
O Ministro, ao colocar-se a serviço da comunidade, o faz por amor; a misericórdia é uma das características do amor. Quanto mais o Ministro ama a Deus e a comunidade, tanto mais ele é misericordioso. E como essa misericórdia se manifesta nele? Pelas suas atitudes para com aqueles a quem está a serviço: paciência, compreensão, tolerância, perdão, ternura, compaixão, solidariedade. O contrário também é verdadeiro. O Ministro sem misericórdia é preconceituoso, indiferente, insensível, rigorista, intolerante, impaciente, fechado ao perdão, valorizando mais as leis e as normas do que as pessoas.
A pessoa misericordiosa é luz que ilumina tudo o que está ao seu redor. Onde ela está, há acolhida, alegria e a convivência é gostosa. Se é verdade que as nossas comunidades precisam de Ministros bem preparados, também é verdade que precisam, e muito, de Ministros que prestem os seus serviços ministeriais com “o coração nas mãos”, a exemplo de Jesus.

Normas

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que conhece a sua diocese e paróquia, especialmente naquilo que diz respeito ao exercício de seu ministério.
A organização é necessária e precisa ser conhecida e respeitada. Dois exemplos: quantos acidentes poderiam ser evitados se todos observassem as leis de trânsito? Quanto tempo poderia se ganhar para a convivência familiar se nossas reuniões não fossem tão dispersivas e não atrasássemos tanto para começá-las e concluí-las? Agora falemos dos Ministros: quanto a nossa comunidade ganharia em participação de qualidade se todos respeitassem as normas estabelecidas pela diocese e paróquia? As normas são estabelecidas não para escravizar ou sufocar a criatividade, mas para dar harmonia, beleza e sentido ao que realizamos.
Por isso é necessário participar do encontro, ou encontros, de formação para o ministério, A maioria das dúvidas são dirimidas nesses encontros. Outra oportunidade, que os ministros não podem perder são as reuniões paroquiais de Ministros. Além da espiritualidade, sempre há tempo para se conversar e resolver dúvidas. Se for o caso, chame-se o pároco, ou outro padre da paróquia, para esclarecer o que está confuso ou não foi entendido. O que não se pode é permanecer com dúvidas, ou continuar a improvisar nas celebrações e demais serviços.
Cada diocese tem as suas normas ou diretrizes para os Ministros. Não se pode ter as mesmas para todas as dioceses do Brasil pelas diversas realidades que temos. Basta ver quanto há de próprio no serviço prestado pelos Ministros em diferentes ambientes, como nos conjuntos residenciais, nos edifícios, nos hospitais, nas áreas rurais etc. Quanto mais as normas forem acatadas, tanto mais os Ministros servirão bem à comunidade e se sentirão realizados, já que é para servir que foram enviados pela Igreja.

Oração

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa de oração constante e perseverante. Não só o Ministro, é claro, mas ele em especial porque os serviços que presta tem sua força na comunhão com Jesus.
A oração é a busca e a prática da convivência com Deus, Quanto mais nos unimos a Ele, mais nos colocamos a serviço, mais significado encontramos no ministério. Quando o Ministro não é uma pessoa de oração, o serviço que presta ficará sem “alma”, será mecânico, feito puramente por obrigação. Há várias formas de rezar. Vamos recordar de algumas: 1, A oração pessoal, “coração a coração” com Deus, quase sempre feita de forma espontânea; 2, A oração feita em grupo ( de famílias, de reflexão, de pastorais e movimentos, a lectio divina, entre outras); 3. A celebração de sacramentos e sacramentais; 4. A missa, a maior de todas as orações, em que na pessoa do sacerdote, Cristo apresenta a humanidade ao Pai pelo Espírito Santo. 5. As celebrações sem a presença do ordenado, que constituem em torno de 70% das celebrações dominicais e têm a presença e a participação enriquecedora dos Ministros. Além das orações pessoais e comunitárias acima elencadas, a que se ressaltar os momentos de oração próprios dos Ministros, como a adoração ao Santíssimo Sacramento e o rosário meditado. E bom que os Ministros tenham momentos de oração em que rezam a partir dos serviços que prestam, adorando, louvando e intercedendo.
Embora esse assunto possa, em teoria, parecer desnecessário, na prática não o é: os Ministros, como os demais cristãos, são convidados a participar da missa ao menos aos domingos ou, se não houver aos domingos, nos dias em que ela é celebrada na comunidade. O Ministro, porque é batizado e membro da comunidade, tem a obrigação de participar da missa segundo os mandamentos da Igreja e não somente quando está escalado para servir…

Perseverança

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa persistente no exercício do ministério. O povo tem razão quando afirma que “começar é fácil, o difícil é perseverar”. Realmente, os primeiros passos são sempre tranquilos; os pés, as pernas e o restante do corpo começam a pesar quando já se andou alguns quilômetros. O mesmo acontece com os Ministros: o início do ministério traz. consigo a novidade do serviço, mas, depois de algum tempo, as ocupações pessoais e os eventuais problemas próprios do ministério tentam os Ministros a parar, a deixar para outros o que faziam’ até então, ou a simplesmente abandonar tudo de uma hora pra outra.
Há uma tendência em todos nós a, diante das dificuldades, optar pela saída mais cómoda: desistir, arrumando alguma desculpa para não assumir o fracasso. É normal que pensemos em recuar ou desistir diante de uma ou mais situações desfavoráveis, porém o ideal é que reunamos forças, procuremos o auxílio de outras pessoas e rezemos para perseverar. Além das dificuldades no exercício do ministério, há que se cuidar com a rotina; o remédio para ela está no reavivamento espiritual e no empenho em estar permanentemente a serviço da comunidade.
Mas não há nenhum motivo pelo qual o Ministro seja aconselhado a deixar o ministério? Há, sim, como situações familiares graves, incapacidades (físicas, mentais, espirituais), incompatibilidade entre o ministério e a vida profissional etc. Mas nesse caso se tratam de exceções. Sempre que algo assim ocorrer, é necessário conversar antes com o pároco para que não haja possíveis mal entendidos.
Para perseverar o Ministro precisa, antes de tudo, servir com fé e por amor a Jesus e à comunidade. Depois, deve estar em comunhão com os demais Ministros. Com o auxílio divino somado ao auxílio humano e ao próprio empenho, a perseverança é certa.

Questionamentos

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que participa de fato da vida da sua comunidade, buscando constantemente melhorá-la. Mas como? Tendo interesse por ela, não se omitindo diante de possíveis mudanças, partilhando ideias e sugestões vindas da criatividade e, inclusive, acolhendo as críticas construtivas feitas por membros da comunidade.
Um exemplo a ser imitado é o de Maria, Mãe de Jesus. Ao receber a visita do anjo comunicando-lhe que seria a Mãe do Salvador, ela não aceitou tudo passivamente, mas apresentou as dificuldades que teria que enfrentar. Só depois disse o seu sim, que manteve até o final de seus dias. Maria não se rebelou, nem tentou fugir da responsabilidade da missão, mas questionou para ter certeza de ter compreendido o que se esperava dela. O mesmo deve acontecer com o Ministro: espera-se que ele seja um cristão ativo, que questione e argumente para poder servir melhor e porque ama a sua comunidade e a Igreja.
Questionar para compreender e poder servir melhor é diferente de implicar. O Ministro implicante é aquele que questiona para dificultar e não para aperfeiçoar, que procura erros para condenar e não para consertar, que faz de tudo para dividir e nada para somar e unir. Como pode estar a serviço da comunidade quem não a ama e, em lugar de construir, faz de tudo para destruir? Também o Ministro omisso é um problema para a comunidade, já que para ele tudo “tanto faz como tanto fez”, ou seja, ele não está nem aí. Cumpre estritamente com a sua obrigação, mas não ajuda a comunidade a crescer e amadurecer. A Igreja, em suas diversas e muitas comunidades, não precisa de “ministros carneiros” e sim de “ministros pastores”, que participem ativamente da vida comunitária.

Renúncia

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa capaz de renunciar a si mesma em favor daqueles a quem se coloca a serviço. Não há serviço que não exija sacrifícios; se houver, é porque não é serviço. Ao preparar os seus discípulos para continuarem com a sua missão, Jesus avisou-os: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la, mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, a ganhará” (Mt 16, 24-25). É claro que a situação do tempo de Jesus, bem como do início da Igreja, era muito mais difícil do que a nossa hoje. É raro que no Brasil alguém seja martirizado ou perseguido por professar a sua fé em Jesus. Porém continuam a não faltar renúncias para quem quer servir de fato aos seus irmãos e irmãs. O Ministro, pelo tempo que dedica à formação e ao serviço, renuncia em parte à convivência familiar, ao trabalho, ao lazer, ao descanso etc. São renúncias que se repetirão ao longo de todo o ministério, e que precisam ser assumidas na fé e por amor. Exemplos: levantar mais cedo para servir na primeira missa do domingo, deixar de assistir a um filme para levar a Comunhão a um enfermo, não disputar a tão esperada partida de futebol para participar de uma reunião ou encontro, cancelar um passeio para substituir outro Ministro, e assim por diante. Pode parecer pouco, mas não é. Na realidade em que vivemos, onde o tempo é escasso e são muitos os compromissos, as renúncias constantes exigem responsabilidade e determinação de quem se coloca a serviço do outro. Ainda uma observação: o Ministro não deve abandonar a família para servir à comunidade, mas sacrificar aqueles momentos que não comprometem a sua existência e harmonia. Infelizmente há quem use a Igreja para fugir de casa e da família, e não são só os Ministros.

Serviço

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa serviçal ou, em outras palavras, a fazer-se servo, colocando-se inteiramente à disposição de quem assumiu servir. Jesus, após lavar os pés dos discípulos, explicou: “Sabei o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu sou. Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais também vós” (Jo 13, 13-15). Em outra ocasião Jesus disse: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir” (Mc I0, 45). O Ministro é convidado a imitar Jesus ao desempenhar o seu ministério, fazendo-se, como Ele, um servidor consciente de sua opção e missão.
O serviço exige despojamento, humildade, entrega. Em cada serviço, o Ministro faz-se servo e não finge ser um. Como servo, faz o melhor que pode e não exige nem mesmo que o seu serviço seja reconhecido: “Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer” (LC 17, I0). Isso parece exigente demais? E é, porém à medida em que o Ministro faz a experiência de fazer-se servo de seus irmãos e irmãs, descobre a alegria da gratuidade, de colocar-se à disposição sem pedir nada em troca, de amar sem impor condições. Para chegar a tanto, não basta ter boa vontade, embora ela também seja necessária: é imprescindível (indispensável) a espiritualidade, ou seja, viver segundo o Espírito Santo (Cf. Rm 8, 1-14; Gl 5,16-26). E o que é viver segundo o Espírito Santo? E viver como Jesus viveu, é tê-lo como Caminho, Verdade e Vida. É deixar-se iluminar por Jesus e andar com Ele, como fizeram os discípulos de Emaús. O Ministro que se propõe a ser servidor deve ter sua espiritualidade centrada em Jesus.

Testemunho

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que faz o que fala, que pratica o que anuncia, que mostra como a vida o que professa com os lábios. Testemunhar é missão de todos os cristãos, inclusive dos Ministros. Pela evidência que adquirem com o exercício do ministério, eles são mais vistos e observados e, portanto, tornam-se modelos de vivência da fé para a comunidade. Isso quer dizer que devem ser perfeitos? Não, ninguém pede a eles que sejam o que não é possível ser, mas que busquem ser o mais coerentes possível com o serviço e a missão que receberam de Jesus por meio da Igreja. A comunidade não procura no Ministro a pessoa perfeita, mas sim a pessoa que luta, que “sua a camisa” para ser fiel a Jesus, servindo-o no próximo. O esforço somado à espiritualidade do Ministro é valorizado pela comunidade, que se sente motivada a viver como ele vive. (O mesmo vale para todas as lideranças da comunidade, a começar pelos sacerdotes e diáconos.)
Testemunhar é uma forma magnífica de evangelizar. Eis o que disse o papa Paulo VI: “Para a Igreja, o testemunho de uma vida autenticamente cristã, entregue nas mãos de Deus, numa comunhão que nada deverá interromper, e dedicada ao próximo com um zelo sem limites, é o primeiro meio de evangelização. ‘O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou então se escuta os mestres, e porque eles são testemunhas’. Será pois, pelo seu comportamento, pela sua vida, que a Igreja há de, antes de mais nada, evangelizar este mundo; ou seja, pelo seu testemunho vivido com fidelidade ao Senhor Jesus, testemunho de pobreza, de desapego e de liberdade frente aos poderes deste mundo; numa palavra, testemunho de santidade” (Evangelii nuntiandi, 41).

Unidade

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa que vive e promove a unidade. O centro dessa unidade é Jesus Cristo; na Igreja Universal, por ordem de Jesus, é o sucessor de Pedro, o papa; na Igreja Particular (inclusive diocese) é o Bispo, sucessor dos Apóstolos. Nas paróquias, o centro da unidade é o bispo diocesano, na pessoa de seu colaborador, o pároco (ou administrador paroquial). Unidos ao pároco, todos os cristãos leigos e leigas, consagrados, e demais ministros ordenados (pertencentes à paróquia), estão unidos ao Bispo e, neste, em comunhão com o Papa. É maravilhoso saber que formamos uma única família, e que estamos todos unidos em Jesus porque pelo batismo passamos a fazer parte de Sua família
O Ministro é membro desta grande família reunida e unidade pelo Espírito Santo. Tendo consciência de que não é um cristão avulso, ele é chamado a celebrar essa unidade, aprofundando-a no dia a dia, fortalecendo-a ao agir em comunhão com toda a Igreja. Mas, concretamente, como essa unidade é alimentada, vivida e promovida? Pela fidelidade a Jesus Cristo e à sua Igreja! O que não significa aprovar tudo que os membros da Igreja fazem, já que estes somos nós, limitados e pecadores. Como, contudo, Jesus Cristo é a Cabeça desse corpo que é a Igreja — e por isso ela é santa, nós nos unimos a ela apesar dos pecados que cometemos, e que confiamos ao Senhor, por meio da Igreja, para que sejam perdoados.
Todos os serviços prestados pelos Ministros devem estar em unidade com Jesus e sua Igreja. Quando quebramos a unidade escandalizamos àqueles que olham para nós à espera de um testemunho de comunhão fundamentado no amor. Inclusive escandalizamos, com nossa conduta rebelde, também os demais membros do único corpo de Cristo.

Zelo

O Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é chamado a ser uma pessoa zelosa. O termo zelar significa “ter zelo por, vigiar, proteger, tomar conta de (alguém ou algo) com toda a atenção, cuidado e interesse; velar, interessar-se, tratar com empenho, diligência, precisão, tomar medidas para que algo se realize a contento ou para evitar algo” (Houaiss). O Ministro precisa zelar pelo quê? Por tudo, desde pelo que veste até pela atenção com que acompanha as celebrações.
Olhemos para a Sagrada Escritura. Deus é zeloso: “O Senhor se mostrou zeloso pela sua terra, teve compaixão de seu povo” (JI 2, 18); Jesus é zeloso: “Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: ‘O zelo da tua casa me consome’ (SI 68, 10)” (Jo 2,17; Cf. Jo 2, 13-17); Paulo é zeloso: “(.,.) avantaja-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros de idade e nação, extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gl l, 14); O povo de Deus deve ser zeloso: “(…)Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem” (Tt 2, 14); Os cristãos devem ser zelosos: “Se fordes zelosos do bem, quem vos poderá fazer mal? E até sereis felizes, se padecerdes alguma coisa por causa da justiça” (1Pd 3, 13-14); “Reanima, pois, o teu zelo, e arrepende-te” (Ap 3, 19b).
Fiz questão de transcrever os textos acima, em lugar de apenas citá-los, para concluir as reflexões deste livro com chave de ouro: Quanto mais zeloso for o Ministro em tudo, tanto mais eficiente e de qualidade será o seu exercício ministerial. Ministros, não pedimos que vocês sejam perfeitos, mas que sejam zelosos no vestir, na higiene pessoal, no trato com o material litúrgico, na participação e pontualidade (nas reuniões, encontros, celebrações), no diálogo com o pároco e demais padres da paróquia, na unidade com as pastorais e movimentos, na observância das normas diocesanas e paroquiais, nos compromissos assumidos, na fidelidade à Igreja, na prática da justiça e da caridade!

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